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Curriculum Vitae

O brasileiro do Zouk

Philip Miha, um dos principais nomes da dança caribenha no Brasil, é sinônimo de festa e agitação da noite paulistana . . .


por Daniel Tavares
abril/2004

Anos 70 . . . um dia qualquer na África do Sul
Na rua os tambores e ritmos negros comandavam a festa. Em casa, o som da vitrola tocava o rock americano que fazia sucesso no início dos anos 70.
Começou assim, no meio dessa diversidade musical presente na infância, a paixão do sul-africano Philip Miha pela dança.
"Fiquei somente até os oito anos em Pretória, mas me lembro muito bem do som daquela cidade, era realmente contagiante", diz o filho do grego Hristos Miha e da brasileira Elenizia Miha.

E por pressão, o Brasil
Depois da primeira infância do menino Philip vivida na África do Sul, os Miha mudaram-se para São Paulo, atendendo aos incansáveis pedidos da parte brasileira da família.
"No Brasil, durante minha adolescência, os bailes não foram tão importantes quanto o esporte em minha vida. Passei a jogar voleibol e acabei me profissionalizando nessa modalidade", conta o esportista, hoje com 36 anos. Philip jogou dos 16 aos 24 anos de idade em times como o do clube 'A Hebraica' e 'Palmeiras' deixando depois as quadras para se tornar técnico do clube 'Paulistano', atividade em que atua até hoje e que passou a conciliar com a dança, primeiro com a Lambada e depois com o ritmo caribenho Zouk.

Entre discotecas e favores, o contato inicial
Entre as noitadas agitadas do point Ta Matete - famosa discoteca do final dos anos 70 da noite paulistana - e as roupas coloridas da época, Philip foi impulsionado ao ritmo tet-a-tet por sua irmã Anna ao som da "troca de favores familiares". "Meu primeiro contato com esse tipo de dança latina aconteceu quando eu tinha 19 anos e a Lambada começou a estourar por aqui", conta Philip, "minha irmã mais nova Anna, ainda menor de idade não podia sair sozinha e acabou me convencendo a acompanha-la em algumas lambaterias", explica Miha. Na verdade o irmão não era tão bonzinho assim e só aceitava os convites de Anna em troca de diversos favores: de massagem à preparação de lanches bem especiais.

Os primeiros passos dos irmãos Miha foram imitando os casais mais experientes das casas noturnas. Em poucos meses, a dupla já se destacava no meio da pista e Philip já não se sentia obrigado a acompanhar a irmã, muito pelo contrário, os dois passaram a sair juntos espontaneamente diversas vezes na semana. Estavam contaminados pela Lambada e pelas canções melodiosas do grupo Kaoma, a banda de maior sucesso do gênero e tida por muitos como a precursora do Zouk.
Para se tornar um profissional da dança foi um pulo e segundo ele, um pouco sem querer, afinal nunca fez aulas e até hoje acha estranho alguém considera-lo um dançarino. "Comecei a participar de campeonatos e eventos por pura satisfação pessoal, nunca pensei em nenhum tipo de carreira na dança", conta.

E de repente, professor e o sucesso internacional
No auge da Lambada em 1990, Philip foi convidado a dar aulas na lambateria Rala Coxa em São Paulo, passando a utilizar para a dança a metodologia de ensino aprendida na época da Faculdade de Educação Física. O professor Camarão, que dava aulas na Mel, outra casa muito famosa e um dos ícones da Lambada na época, também deu muitas dicas ao jovem professor. O sucesso foi tão grande que ele ficou no Rala Coxa até o seu fechamento em 1992.
Logo depois foi a vez de explorar o sucesso da Lambada fora do Brasil. A irmã Anna que também se tornou profissional da dança, já havia se apresentado em Portugal e incentivou o irmão a criar um grupo para fazer uma turnê internacional. "Ficamos dois anos em Portugal com o nosso Lambayr Show" diz, complementando, "nessa época minha parceira era a Andrea Lisboa e dançamos juntos por cinco anos" relembra o sul-africano naturalizado brasileiro.

A era Zouk
Entre os anos de 1993 e 1995 a Lambada começava a dar seus últimos suspiros em São Paulo e um ritmo muito próximo começava a predominar sob o sol do Brasil, o Zouk. Na verdade, segundo Philip, em 1990 o novo som do Caribe já dividia espaço com as lambadas de Beto Barbosa, banda Reflexus e Olodum sem alcançar no entanto, um grande destaque. "O DJ Jairo Brasil na Mel foi um dos pioneiros a trazer o novo ritmo para São Paulo", relembra Philip.

"A adaptação às novas melodias foi um processo natural, de repente já estávamos embalados nas novas músicas que surgiram na noite. O Zouk é um ritmo que considero mais sensual e envolvente que a Lambada" diz e analisa Philip Miha.

Até 2001 o Zouk tinha seu espaço em algumas casas noturnas de São Paulo como a Lambar, porém passo-a-passo foram sendo fechados, deixando um grande número de fãs do ritmo completamente órfãos e apreensivos.

A responsabilidade e o sonho
Foi nesse momento que Philip tomou a responsabilidade para si! De alguma maneira o Zouk voltaria a tocar por aí . . . nem que ele mesmo passasse a organizar e produzir algumas noites. E foi exatamente o que aconteceu.
Primeiro vieram as festas e as aulas no H Project durante todo o ano de 2002. Em sequência inaugurou a Domingueira do Zouk na casa Buena Vista do bairro paulistano da Vila Olímpia, que já duram cerca de dois anos com muito sucesso.
Às quintas-feiras o sucesso é garantido, há quase um ano e meio na tradicional casa Carioca Club, também em São Paulo e no tradicional bairro de Pinheiros. Nessa casa a festa começa com aulas bem concorridas do professor Philip Miha!


Os esforços para divulgar o Zouk não param por aí. Philip organiza festas especiais - como a já tradicional Festa do Branco de final de ano - wokshops, encontros apaixonados pela dança, formou a Cia de Dança Philip Miha e é frequentemente requisitado em programas de televisão.


"Uma amiga que tem ajudado muito na divulgação do Zouk é a 'atriz global' Maria Fernanda Candido, uma amiga e super-parceira que conheci em 1997 e, assim como eu, adora o Zouk", enfatiza o professor Miha.

Daqui em diante, os projetos segundo ele não vão parar de surgir e o dançarino - sim! Ele é um dançarino nato quer queira ou não! - não sossegará até ter seu próprio Centro de Pesquisa de Dança.
É um sonho? Não! É uma meta.

Atualmente, Philip Miha é sinônimo de Zouk,
e isso é indiscutível!


diagramação e revisão:
Ricardo Machado  

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